De acidez a terroir, sem sofrer
Glossário Sem Frescura
Cada termo em uma linha honesta. Pesquise, aprenda, e nunca mais deixe uma palavra bonita te vender gato por lebre.
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42 termos no glossário
- Acidez
- O que deixa o vinho vivo e dá água na boca. Acidez alta = vinho “elétrico”, ótimo com comida.
- Amadeirado
- Passou por madeira (quase sempre carvalho) e pegou notas de baunilha, coco, tosta.
- Assemblage
- Assemblage → corte. Mistura de uvas ou lotes. É a mesma coisa — uma das duas paga mais caro no cardápio.
- Barrica
- O barril de carvalho. Madeira nova marca muito o vinho; madeira velha, quase nada.
- Blend (corte)
- Vinho de mais de uma uva. Não é defeito: alguns dos maiores vinhos do mundo são blends.
- Bouquet
- O conjunto de aromas que o vinho desenvolve com tempo de garrafa — diferente do aroma de fruta da juventude.
- Brut
- Espumante seco, com pouco açúcar. Extra brut e nature: mais secos ainda.
- Champagne
- Espumante da região de Champagne, na França. O resto do mundo faz espumante — alguns tão bons quanto, por um terço do preço.
- Charmat
- Espumante feito em tanque: mais fruta, menos pão. É o método do prosecco — e de ótimos nacionais.
- Colheita tardia
- Uva colhida bem madura, quase passa: vinho doce de sobremesa. Também aparece como “late harvest”.
- Corpo
- A “presença” do vinho na boca, da água (leve) ao leite integral (encorpado).
- Cru / Grand Cru
- Vinhedo específico consagrado (Borgonha, Champagne). Geografia elevada a religião — interessante, não obrigatória.
- Decantar
- Passar o vinho pra outro recipiente: separa sedimento (vinhos velhos) e areja (jovens fechados). Meia hora de taça resolve na maioria dos casos.
- Demi-sec / meio-seco
- Com açúcar perceptível. No espumante, vai bem com sobremesa.
- DOC / DOCG / AOC / DO
- Selos de origem controlada (Itália, França, Portugal, Espanha, Brasil): dizem de onde o vinho vem e sob que regras. Origem — não nota de qualidade.
- Espumante
- Vinho com pressão de gás vinda de segunda fermentação. A categoria em que o Brasil mais brilha.
- Fortificado
- Vinho com aguardente vínica adicionada (Porto, Jerez, Madeira): mais álcool, geralmente mais doçura, vida longuíssima.
- Frisante
- O meio-termo borbulhante: menos pressão que espumante, leve, fácil, geralmente barato.
- Gran Reserva
- Na Espanha, envelhecimento longo garantido por lei. Fora dela, leia com um pé atrás (veja Reserva).
- Guarda (vinho de)
- Feito pra melhorar com anos de garrafa. Minoria absoluta — a maior parte dos vinhos nasce pra ser bebida jovem.
- Harmonização
- Sugestão de casamento entre comida e vinho. Sugestão. O júri é o seu paladar.
- IGT / IP
- Indicações geográficas mais flexíveis (Itália / Brasil). Menos regra não é pior vinho: os Supertoscanos são IGT.
- Método tradicional
- Segunda fermentação dentro da garrafa: bolha fina, notas de pão e brioche. Mais caro de fazer — é o método do Champagne.
- Mineralidade
- Gosto de pedra molhada → termo vago que a ciência ainda discute. Todo mundo usa, ninguém sabe definir. Use sem culpa.
- Oxidado
- Vinho que apanhou do oxigênio: cor de tijolo, cheiro de maçã passada. Em Jerez é estilo proposital; no seu tinto de terça, é defeito.
- Perlage
- Perlage → as bolhinhas. Finas e persistentes costumam indicar método tradicional bem feito. É isso.
- Reserva
- Palavra com lei dura na Espanha, regra frouxa na Argentina, decoração no Chile e no Brasil. Contexto é tudo.
- Reservado
- Não significa nada: nenhuma lei, nenhum envelhecimento, nenhuma seleção. Costuma batizar a linha mais básica da vinícola — com nome pomposo.
- Retrogosto
- O que fica na boca depois de engolir (o “finish”). Longo e agradável costuma ser sinal de vinho de nível.
- Rolha (bouchonné / TCA)
- Defeito da rolha: cheiro de papelão molhado, mofo. Não é vinho “vinagrado” — é outro defeito. Em restaurante, pode devolver.
- Rosé
- Feito de uva tinta com pouco contato com as cascas. Não é mistura de tinto com branco — isso é até proibido na Europa (exceto em Champagne).
- Safra
- O ano da colheita. Serve pra saber a idade — e, em regiões de clima instável, a sorte daquele ano.
- Seco
- Sem açúcar perceptível (a lei define o limite). Não confundir com amargo nem com “forte”.
- Sommelier
- Profissional de serviço de vinhos. Os bons valem ouro; frescura é achar que você precisa de um pra beber bem.
- Suave
- No Brasil, vinho doce (geralmente de mesa). Não é sinônimo de “leve” — é açúcar mesmo.
- Tanino
- A adstringência que “segura” a língua, como chá preto forte. Vem da casca, da semente e da madeira. Amansa com tempo de garrafa e comida gorda.
- Terroir
- O pacote completo do lugar: solo, clima, altitude e a mão de quem faz. Existe de verdade — só virou palavra de status no caminho.
- Varietal
- Vinho de (praticamente) uma uva só, que leva o nome dela no rótulo: Malbec, Chardonnay, Tannat…
- Vinho de mesa
- No Brasil, feito de uvas americanas ou híbridas (Isabel, Bordô). Outra categoria, outra proposta, outro preço — sem pedir desculpa.
- Vinho fino
- No Brasil, feito de uvas viníferas (Cabernet, Merlot, Chardonnay…). “Fino” é categoria legal, não elogio.
- Vinho natural
- Movimento de mínima intervenção (pouco ou nenhum sulfito). Definição legal ainda frouxa: pode ser ótimo — ou só turvo e caro.
- Vinhozinho
- s.m. O jeito sem frescura de aprender vinho. Descomplicando desde 2012 · Brasil. 🍷
